Aplicador em ABA e o Analista do Comportamento

Diferentes funções da Terapia ABA

Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA e também para pessoas com Deficiência Intelectual – DI, é indicada uma intervenção baseada em Análise do Comportamento Aplicada -ABA. Apesar dessas condições serem altamente prevalentes, existem muitas dúvidas sobre como funcionam as intervenções, quais são os profissionais envolvidos e qual é o papel e formação de cada um. Vamos tentar explicar esse complexo tema. Mas antes, é preciso descrever como a intervenção funciona:

Passo-a-passo da intervenção ABA

Toda intervenção baseada em ABA começa com uma avaliação da pessoa que será atendida. Esta avaliação vai descrever os comportamentos em excesso, que atrapalham o desenvolvimento do indivíduo e os comportamentos em déficits, ou seja, o que ela precisa aprender. Esta avaliação é feita por meio de protocolos cientificamente validados e também com observação, avaliação ou análise funcional de comportamentos-problema.

Depois de todo este processo, é escrito um Plano de Ensino Individualizado – PEI ou Plano de Tratamento Singular – PTS (ou outro nome), que é o planejamento de ensino, com as metas, programas e processos de registro da intervenção.

Após isso, há a implementação das estratégias de ensino, em geral com alta intensidade, de 20h a 40h semanais. Em todos os dias em que há intervenção, diversos programas (em geral) são aplicados e todas as tentativas são registradas. Por exemplo, se estamos implementando um programa de ensino de imitação motora grossa, tendo como alvo o comportamento de imitar a mão sendo colocada na cabeça, registraremos todos os pedidos de imitação, sinalizando as tentativas em que o atendido imitou sem ajuda e quando ele imitou com ajuda e que ajuda foi essa.

Os dados de todas as tentativas de todos os programas são organizados em gráficos e justificam a tomada de decisão de continuar com certo programa porque a pessoa está aprendendo mas ainda não atingiu o critério de aprendizagem, de mudar o programa porque ele não está funcionando, alterando a estratégia de ensino, ou avançar para o programa seguinte porque uma habilidade já foi desenvolvida.

Profissionais no processo

O Analista do Comportamento

Fazer a avaliação, a programação do ensino e tomar decisões, como essas elencadas, são habilidades desenvolvidas em anos de estudo e experiência e precisam ser tomadas por Analistas do Comportamento, pessoas que possuam formação superior e que tenham feito ao menos uma pós-graduação em ABA aplicada ao Autismo ou Desenvolvimento Atípico e tenham atuado sob supervisão de todos os casos até adquirir experiência e que se mantenham sob supervisão de um profissional largamente formado e experiente.

Esta profissão não está regulamentada no Brasil, de modo que é muito difícil um critério claro, mas estamos tomando como referência adaptada os EUA, onde, na maior parte dos estados, o Analista do Comportamento tem um título de BCBA, que exige Mestrado em Psicologia ou Educação e um curso de ABA de 270h (o Mestrado nos EUA pode ser online ou até de 1 ano, bem diferente do brasileiro e bem próximo da especialização no Brasil – que lá não existe), 1500h supervisionadas e uma prova do órgão certificador.

É o Analista do Comportamento que faz tudo isso, mas há outra tarefa que ele realiza ainda não descrita, quando ele define a intervenção de uma pessoa, ele também treina um ou mais aplicadores para, todos os dias, estar com esta criança (de 8h às 12h ou de 13h às 17h, por exemplo), implementando a intervenção formulada. Para a tomada de decisão, ao menos uma vez por semana, o Analista do Comportamento também realiza as supervisões deste aplicador. Também é papel do Analista do Comportamento o diálogo permanente de escuta e orientação técnica dos pais ou responsáveis pelo atendido.

Aplicador

Esta profissão também não está regulamentada no Brasil, mas nos EUA ele possui normalmente o título de Register Behavior Technician – RBT, que exige o equivalente ao Ensino Médio no Brasil e um curso de 40h, em que são ensinadas as bases para aplicar uma programação feita pelo Analista do Comportamento.

Em geral, no Brasil, este aplicador é chamado de Acompanhante Terapêutico ou Assistente Terapêutico – AT. Ele, portanto, não tem formação para realizar as avaliações e a programação do ensino, bem como para tomar decisões em casos, mas para aplicar as intervenções formuladas pelo Analista do Comportamento, registrando minuciosamente os dados que apresentará na supervisão e formará a base para a tomada de decisão no caso.

Além do curso de 40h, este aplicador necessita estar em constante desenvolvimento, lendo, fazendo cursos, compreendendo cada vez mais seu trabalho. O aplicador atua necessariamente sob a supervisão de um profissional responsável pelo caso e esta supervisão é também uma oportunidade de aprendizagem e aprimoramento.

Cursos de formação

Há diversos programas de Pós-Graduação Stricto-Sensu que trabalham com pesquisa sobre autismo, como a UFSCar, UEL, UFPA, USP, PUC-SP, UNB, entre muitas outras, assim como há muitas instituições que oferecem especializações na área. A equipe Sênior da Luna ABA atua como docente na Pós-Graduação em ABA aplicada ao TEA e DI do CBI of Miami, uma das opções no Brasil. Nestes processos de formação mais profundados, profissionais têm a oportunidade de terem uma formação compatível com a função do Analista do Comportamento, para a qual necessitam também de supervisão.

Existem diversos cursos de “Aplicadores em ABA” ou “Formação para AT” no Brasil, de carga horária bem mais sumária, inclusive feito pela Luna ABA. Nossas formações normalmente ocorrem durante uma semana inteira, o dia todo, e conta ainda com um apoio online durante duas semanas, para a realização de questões e retirada de dúvidas.