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Conferência sobre autismo na Califórnia chegando

 

Dia 02 de agosto está chegando e há enormes expectativas para o II International Conferences CBI of Miami, no Muotri Lab, onde falarei sobre novidades em intervenção ABA aplicada ao autismo.

Em um momento de explosão da Análise do Comportamento Aplicada – ABA no Brasil, é urgente e necessário um debate sério a respeito do tratamento do Transtorno do Espectro Autista – TEA, sem vulgarizações com a ideia de um “Método ABA”, mas com o reconhecimento da complexidade desta perspectiva.

  1. Falando sobre ciência: tema e desafio

A responsabilidade começa porque foi lá mesmo, na Universidade da Califórnia, que o Ivar Lovaas fez a pesquisa mais importante da história sobre o autismo, é ela que constitui a base ainda hoje para que o direito das pessoas com autismo para intervenções baseadas em ABA seja alcançado pelos pais.

Nesta pesquisa, Lovaas trabalhou com 3 grupos de crianças com autismo e aquela que tinha acesso a 40h de intervenção baseada em ABA e mais o treinamento de seus pais teve um grau de melhora muito mais significativo. 47% das crianças que tinham este regime não precisaram estar em salas especiais na escola ou de qualquer outra ajuda, como mediadores e terapeutas. No outro grupo, dividido entre metade que tinha 10h de ABA e metade sem esta intervenção, somente 2% atingiu este nível, demonstrando que os efeitos eram, realmente, da intervenção.

Mas meu papel, na Conferência, é apresentar o que mudou na Análise do Comportamento Aplicada – ABA de Lovaas (1987) para cá. Esta é justamente a beleza e o desafio de falarmos de uma ciência e não de um “Método ABA”, como muito se fala. Por um lado, temos uma quantidade gigantesca de novidades porque a ciência não tem dono, não tem royaltes, não tem limites, há milhares de pessoas produzindo em todo o mundo e possibilitando visões inovadoras, caminhar por insights inovadores, trilhar caminhos impopulares. Mas por outro lado, eu disse “milhares de pesquisadores” isto quer dizer que há milhares de pesquisas e navegar neste oceano de conhecimento é também muito exaustivo e nada fácil de se localizar.

Existem muitas coisas a serem ditas, muitos são os campos de pesquisa e inovação, mas creio que alguns saltam mais aos olhos, quais sejam:

  1. O desenvolvimento do campo do comportamento verbal, entrando em equivalência e Teoria das Molduras Relacionais;
  2. Ênfase na flexibilidade e variabilidade comportamental;
  3. O desenvolvimento de protocolos comportamentais sofisticados;
  4. O desenvolvimento do campo inteiro de estudo de estratégias naturalísticas de ensino e de generalização de comportamentos;
  5. A integração de saberes multiprofissionais, com a forte presença não só de pessoas da Psicologia, mas também da Pedagogia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Educação Física, entre outros, na intervenção analítico-comportamental, deixando-a muito mais rica e efetiva.

Após o evento, trarei uma reflexão mais pormenorizada deste tema aos que nos acompanham nas redes sociais e no blog, discutindo um pouco melhor cada aspecto elencado.

Claro que a ideia é também trazer informações e discussões sobre serviços que irei visitar na Califórnia e, claro, sobre o Muotri Lab, que é o laboratório mais avançado no mundo em mini-cérebros para pesquisa em autismo, uma oportunidade única de conhecer mais sobre este campo de pesquisa.

Saiba mais sobre o evento aqui.

 

Autor: Lucelmo Lacerda é Doutor em Educação pela PUC-SP, Pesquisador de Pós-Doutoramento na UFSCar, Psicopedagogo e autor do livro “Transtorno do Espectro Autista: uma brevíssima introdução”