Supervisão

Profissionais que trabalham com intervenção em Transtorno do Espectro Autista e Atrasos no Desenvolvimento, que precisam de apoio técnico, também podem se servir de serviços de supervisão da Luna Aba, que será oferecido por nossa equipe de Analistas do Comportamento com formação em Psicologia, Educação, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, ocasião em que se pode discutir e orientar processos de avaliação e intervenção.

A supervisão em uma intervenção baseada em ABA

Análise do Comportamento Aplicada – ABA não é o que as pessoas chamam de Método ABA, na verdade, é muito mais complicado do que isso. Um método é um conjunto de procedimentos a serem aplicados, em série, talvez com pequenas variações e qualquer pessoa séria que decidiu trabalhar com intervenção baseada em ABA já deve ter se perguntado “por que fui me meter nisso?”.

Mas vamos começar pelo começo, caracterizando a profissão do Analista do Comportamento, as diversas funções no interior do trabalho de intervenção baseada em ABA e como se encaixa o processo específico de supervisão.

Formação em “Método ABA”?

Pois bem, a Análise do Comportamento é um campo, com a sustentação filosófica do Behaviorismo Radical, com conhecimentos básicos produzidos pela Análise Experimental do Comportamento e que utiliza estes conhecimentos para melhorar a qualidade da vida humana através da Análise do Comportamento Aplicada, que usamos a sigla do inglês Applied Behavior Analysis – ABA para designar. Esta ciência foi fundada por Skinner e seus resultados para mudança comportamental humana para melhoria de sua qualidade de vida já foi demonstrada em diversas áreas, como educação, drogadição, desempenho esportivo, Recursos Humanos, entre outros.

No entanto, o campo em que a Análise do Comportamento se destaca por suas evidências inquestionáveis é o da intervenção em pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA, Deficiência Intelectual e Atrasos no Desenvolvimento. Uma das pesquisas mais importantes nesta área foi realizada por Ivar Lovaas e publicada em 1987. Neste trabalho ele demonstrou que com uma intervenção intensiva precoce baseada em ABA, 47 % das crianças conseguiram atingir os marcos do desenvolvimento típico e se matricularem na escola em salas regulares, sem nenhuma necessidade de apoio. Desde a pesquisa de Lovaas, foram milhares de outras pesquisas que deixaram ainda mais sólidas as evidências científicas da Análise do Comportamento Aplicada – ABA como a com melhores resultados para Transtorno do Espectro Autista – TEA, Deficiência Intelectual e Atrasos no Desenvolvimento.

No entanto, é fundamental observar que uma intervenção baseada em ABA é um verdadeiro artesanato para individualizar todo o processo de estimulação e este processo exige um enorme conhecimento desta ciência. Não basta estar “treinado” ou dominar certos protocolos, é preciso ir além, por isso mesmo é que tudo isso é norteado por um profissional a que denominamos de Analista do Comportamento.

A profissão do Analista do Comportamento e correlatas

Nos Estados Unidos a legislação obriga a oferta de inclusão escolar e também de tratamentos no Plano de Saúde daquelas intervenções em saúde e educação que sejam baseados em evidências, o que gera um grande espaço para a atuação em Análise do Comportamento, já que hoje é a intervenção com evidência científica para o Transtorno do Espectro Autista – TEA, que hoje atinge cerca de 1 a cada 59 crianças e é, portanto, um transtorno bastante comum.

Por conta de tudo isso, nos EUA a profissão do Analista do Comportamento é bem regulamentada e é exigido uma formação mínima de Mestrado ou Doutorado em Saúde ou Educação, ter feito cursos em Análise do Comportamento e uma longa jornada de trabalho sob supervisão de um outro Analista do Comportamento mais experiente, só com tudo isso é que o profissional fica habilitado a realizar uma prova para participar desta profissão.

Mas além deste profissional, existem outros dois, que fazem parte deste processo de uma intervenção baseada em ABA. Temos também o Assistente do Analista do Comportamento, que é alguém que também estudou o assunto, também trabalhou com bastante supervisão e tem uma formação universitária, ele é o terapeuta que realiza a avaliação e programação de ensino e acompanhamento mais próximo do caso, sempre sob supervisão do Analista do Comportamento. Além disso, temos uma outra figura, denominada de Técnico Comportamental (a sigla do inglês é RBT), que tem 40h de formação e é sempre supervisionado pelo Assistente de Analista do Comportamento, esse RBT é o que encontra a pessoa com Transtorno do Espectro Autista – TEA, Deficiência Intelectual ou Atrasos no Desenvolvimento todos os dias e implementa os programas previstos na intervenção, registrando tudo minuciosamente e entregando esses dados ao Analista do Comportamento ou seu Assistente e sendo continuamente supervisionado por estes profissionais.

No Brasil não existe a regulamentação destas três profissões como ocorre nos Estados Unidos, portanto não há leis que definam como deve ocorrer e a formação exata dos profissionais envolvidos em uma intervenção comportamental baseada em ABA. Mas apesar disso, reconhecemos que os EUA não inventou aleatoriamente estes critérios, eles são baseados em pesquisa científica e na experiência da construção de um campo de serviços baseados em ABA de modo que, apesar de não haver lei obrigando, as pessoas envolvidas em Análise do Comportamento no Brasil usualmente reconhecem este modelo estadunidense como o mais adequado.

Sobre a Supervisão

Pois bem, falemos melhor então da supervisão. Trata-se de um processo de acompanhamento de um profissional experiente e com larga formação para com outro profissional, a fim de avaliar, orientar e ajudar no desempenho de suas funções. A supervisão pode ser feita com pessoas de todo o país e na interação orgânica entre supervisionando e supervisionado para a melhor decisão em casos clínicos.

O terapeuta que atende em uma clínica ou consultório a crianças com Transtorno do Espectro Autista – TEA, Deficiência Intelectual ou Atrasos no Desenvolvimento (ou outras condições também, na verdade), quando estudou Análise do Comportamento e deseja atender realizando intervenções baseadas em ABA, deve contratar uma supervisão, com a qual irá discutir os casos em que irá atuar.

É por meio de supervisão que o Analista do Comportamento contribui com o Assistente de Analista do Comportamento para a implementação da avaliação comportamental, desde a anamnese, atuando a partir dela para escolher, por exemplo, o protocolo de avaliação mais adequado àquela criança em particular (por exemplo: ABLLS-R, VB-MAPP, PEAK, AFLS, Essential for Living, Social Savvy, entre outros) o lugar em que se observará comportamentos críticos, tais como escola, shopping, andando na rua, entre outros, como organizar esta avaliação e implementá-la. A supervisão também ajudará na definição do Plano de Ensino Individualizado – PEI da criança, colaborando com a definição de objetivos comportamentais compatíveis com os resultados da avaliação e programas comportamentais que sejam também adequados para que tais metas possam ser alcançadas.

Neste caso elencado, é o Assistente de Analista do Comportamento que, por sua vez, treina os RBTs, que no Brasil são usualmente chamados de Acompanhantes Terapêuticos – ATs e os supervisiona, a partir das orientações recebidas de seu supervisor.

Assessoria para além da supervisão

A supervisão é um serviço oferecido por hora de trabalho, de modo geral, trata-se de uma hora, em frente ao supervisionando (normalmente mediado por um recurso como Skype), ouvindo, assistindo vídeos e falando, oferecendo a expertise de estudo e experiência, para um caso.

No entanto, não é incomum que terapeutas desejem “algo a mais” como, por exemplo, que os supervisores façam outros serviços, que são melhor caracterizados como de assessoria, em que há outras produções do supervisor, como programas comportamentais para casos específicos ou relatórios de desenvolvimento, a partir dos dados registrados pelos Acompanhantes Terapêuticos.

Neste caso, de assessoria, trata-se de um trabalho diferente, extraordinário, que também pode ser realizado pelo supervisor, mas não se confunde com o próprio trabalho de supervisão e deve ser combinado entre as partes, contabilizando o tempo de trabalho gasto pelo supervisor/assessor, para sua produção. Ou seja, o supervisor NÃO TEM A OBRIGAÇÃO de produzir nenhum produto ou realizar qualquer outro trabalho para o supervisionando fora do tempo de supervisão. Isto pode ser realizado, mas trata-se de outro serviço, a ser combinado entre as partes.

Supervisão como formação

O objetivo da supervisão, para além da execução de um serviço de Intervenção Baseada em ABA para uma pessoa em particular, oferecendo sempre uma perspectiva dos melhores procedimentos, com as melhores estratégias para cada indivíduo em particular, também é que este terapeuta supervisionado cada vez aprenda mais sobre o tema e possa usar a supervisão para detalhes cada vez mais precisos, isto é, a supervisão também tem a função de deixar o terapeuta cada vez mais preparados tomar decisões e implementar processos de intervenção.

Assim, para além de questionar sobre o que fazer em casos X ou Y de intervenções baseadas em ABA, a supervisão também é espaço para dúvidas teóricas, que irão melhor orientar decisões futuras, pedidos por indicações de bibliografia sobre as várias temáticas e discussões acerca de seu conteúdo. Afinal, como insistimos neste texto e em diversos outros contextos, não existe um “Método ABA”, existe uma enorme ciência da Análise do Comportamento Aplicada – ABA, como um campo complexo de pesquisa e tecnologia para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.